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‘Eu nunca pensei que um monte de pessoas realmente curtiriam o meu filme”, diz Miles Joris-Peyrafitte sobre Como Você É

Postado em 09.12.2016
categorias: CINEMA, SÉRIES
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Jack (Owen Campbell) é um estudante do ensino médio que vive com sua mãe solteira Karen em uma cidade suburbana dos Estados Unidos, nos anos 90. Ele não tem amigos e não se encaixa em nenhum grupo, até que o novo namorado de sua mãe, muda-se para sua casa e traz junto seu filho Mark (Charlie Heaton, o Jonathan da série “Stranger Things”). Jack e Mark conectam-se rapidamente e formam uma forte amizade, junto com Sarah (Amandla Stenberg), que conhecem após um encontro casual. Os três adolescentes tornam-se a salvação um para o outro até que mudanças acontecem e segredos vem à tona, os forçando a olhar para si mesmos e ver até onde estão dispostos a viver a vida que escolheram.

Com sua bela estreia como diretor, roteirista e ator em ”Como Você É”, Miles Joris-Peyrafitte, cedeu uma entrevista para o nosso site. Confira:

O enredo do filme é fortemente marcante. Ele veio de alguma situação que realmente foi presenciada por você, ou foi só fruto da sua imaginação?

O enredo veio de muitos lugares diferentes. Existiam coisas que eu e meu corroteirista, Madison Harrison, crescemos vendo em Albany. Outros elementos foram das nossas vidas e das de nossos amigos. Algumas coisas foram representadas diretamente no filme e outras ficaram um pouco mais escondidas.

Como foi o processo de seleção do elenco principal? Quais foram as características que mais importaram na escolha que cada personagem?

A única coisa que eu saiba para este filme era que eu precisava desses três jovens para suportarem tudo juntos, pois não existia outro modo. Precisava que eles fossem melhores amigos na vida real. Ou virassem melhores amigos. Eu também precisava que eles fossem atores incríveis e pacientes. Basicamente, se eles fossem mal, o filme seria muito difícil de assistir.

Para o casting, tivemos as ótimas Jessica Kelly e Rebecca Dealy, e basicamente elas trouxeram todos até nós. Amandla foi a única em que tínhamos pensado, então fizemos uma oferta imediatamente.

Então escalamos Charlie, eu acho. É difícil lembrar a ordem. De qualquer modo, ele gravou um teste. Ele tinha um agente irritante e persistente chamado Josh Glick que me convenceu que ele era a pessoa certa. Então conversei com ele por Skype e percebi que ele era perfeito. Ele foi muito gentil. Muito comprometido. Um ator incrível, mas também muito esperto. Ele fez todas as boas perguntas.

Na vida nós sempre temos aquelas pessoas que nos inspira de alguma certa forma. Você escolheu dirigir filmes, mas teve alguém que de alguma forme te inspirou a isso? Seu pai, algum conhecido seu ou até outro diretor?

Meus pais, com certeza. Os dois são incríveis artistas e me deram um ambiente para crescer onde era normal eu contar para as pessoas que eu era um cineasta quando eu tinha apenas 11 anos.

Teve trabalhos de muitas pessoas que me sensibilizaram tremendamente, mas isto é provavelmente uma lista similar com a de muitos outros fãs de cinema. Mas eu direi que estudei com Kelly Reichardt e ela é um dos meus cineastas favoritos. Ela definitivamente me inspirou e influenciou e também me ensinou muito pessoalmente.

Se alguém te dissesse que teria que mudar o fim do filme. Como o final seria?

Honestamente, eu não consigo imagine outro final. Para mim foi a conclusão que fazia sentido. Pode ser que não seja o caso de todos, mas para mim foi o que eu estava tentando dizer com o filme.

Para dirigir esse filme específico, você pegou alguma referencia de algum outro filme, livrou ou série?

Eu não sei sobre referências exatas, mas existiram filmes que eu assistia bastante na preparação para fazer meu primeiro filme. “Wendy e Lucy” de Kelly Reichardt, “Os Últimos Dias” de Gus van Sant. Teve também “O Mestre” de Paul Thomas Anderson. Eu realmente assisti esse filme quase todas as noites durante as filmagens. Acho esse filme uma obra-prima.

Atualmente as pessoas estão cada vez mais a vontades para falar sobre temas como a sexualidade. Mas infelizmente sabemos que existem aquelas que não conseguem lidar com a felicidade das outras, como os “homofóbicos”. Você achava que o filme, por se tratar de um tema relativamente polêmico, as pessoas iriam aceitar ele e elogiar tanto ou achava que iria ter mais críticas negativas que positivas?

Eu tentei não pensar nisso de primeira. A realidade é que este é um filme pequeno com alcance um pouco limitado. Este alcance se estende na maioria das vezes para pessoas que pensam quase da mesma forma. O que é uma pena realmente, pois poderia talvez ser de grande ajuda para alguém que normalmente não é exposto a este modo de pensar. Honestamente, eu nunca pensei, em um milhão de anos, que eu realmente faria isso e tivesse alguém ou um monte de pessoas que realmente curtiriam meu filme.

Honestamente, eu nunca pensei, em um milhão de anos, que eu realmente faria isso e tivesse alguém ou um monte de pessoas que realmente curtiriam meu filme.

Então sim, eu tento não deixar pessoas que não gostam – pois elas não gostam de falar sobre este tipo de coisa – me incomodar. Mas eu com certeza presto atenção as criticas de cinema, pois talvez eu sou um sadomasoquista, mas também pois eu quero aprender com meus erros. Teve algumas criticas que eu concordei.

Foi realmente muito bom escutar dos jovens fãs do filme por todo o mundo que conseguiram assistir em algum festival ou que viram o trailer e me contaram no instagram o quanto estavam animados para assistir ou o quanto amaram. É realmente um sentimento indescritível ter alguém em outro pais contando que algo que fiz o deixou feliz.